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O pilar de uma família pode ser o seu elemento mais discreto

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 29.12.09

 

É uma das minhas personagens femininas preferidas, Elinor Dashwood, do Sensibilidade e Bom Senso de Jane Austen. Discreta, sensata, muito prática, adapta-se com incrível facilidade às circunstâncias mais desagradáveis e incómodas, sem se revoltar.

Pela força das circunstâncias, ver-se-á no papel de contabilista da famila, a gerir os recursos com firmeza. É o braço direito da mãe, que reconhece todo o seu valor e que a adora, desejando acima de tudo vê-la um dia feliz.

 

A mãe: esta é também a minha personagem-mãe preferida (de Jane Austen). Em cinema há outras mães, como a mãe corajosa d' As Vinhas da Ira, e a mãe benevolente do Quarto com Vista Sobre a Cidade. Mas esta mãe, Mrs. Dashwood, iimpressionou-me também pelas suas qualidades. Enviuva ainda relativamente jovem e nas circunstâncias mais adversas: o enteado herda a casa e a propriedade e, influenciado pela mulher gananciosa, dá-lhes uma ínfima parte da mensalidade que prometera ao pai moribundo. Mulher afável e educada, defende a dignidade da família e tenta proteger as filhas tanto moralmente como na sua felicidade. Tudo fará para as ver felizes, cada uma com as suas características próprias: a mais velha, tímida e sensata; a do meio, sensível e espontânea; a mais nova, inteligente e rebelde.

 

Esta história de mulheres, num mundo essencialmente masculino, por eles organizado e controlado, é muito poética e comovente. Todo o filme nos transporta para uma época de classes sociais delimitadas, de papéis sociais bem definidos, de rituais e salamaleques. Percebemos de imediato serem a expressão de uma organização muito bem concebida para proteger os homens, sobretudo os varões, e a dimensão das propriedades.

Vemos isso desde o início, como o irmão promete ao pai moribundo cuidar delas. E como a pouco e pouco nos apercebemos da terrível reviravolta da sua vida, de como se vêem repentinamente privadas da casa que sempre conheceram, dos seus objectos familiares e de todo o conforto. A mãe e a criança são as que revelam mais dificuldade de aceitação e de adaptação à mudança.

 

Mas nem todos os homens são gananciosos e volúveis como o enteado desta viúva. Aqui temos a oportunidade de conhecer um dos seus cunhados, Edward Ferrars, a que as mulheres e a criança se afeiçoam de imediato pelas suas qualidades: educação, bom-humor, generosidade. A atracção Elinor - Edward é quase inevitável, para grande alegria da mãe que ainda não tinha caído em si, na sua nova realidade financeira e social. Será de uma forma grosseira e cruel que a mulher do enteado a faz descer à terra: se o irmão não casar bem a mãe deserda-o. Ficamos desde logo esclarecidos e a nossa viúva também.

 

A nova casa: à primeira vista, pequena e acolhedora, mas sem o conforto a que estavam habituadas, como água quente ou aquecimento nos quartos. Mantêm dois empregados fiéis. E serão os vizinhos que, embora intrometidos, lhes irão suavizar o quotidiano e integrá-las socialmente na região. Bem-humorados, genro e sogra, o par mais estranho dos livros de Jane Austen, pelo menos dos que já li até hoje. A sua excentricidade acaba por se tornar calorosa. Participarão nas desventuras amorosas das raparigas, e tentarão sempre apoiá-las com a melhor das intenções: casá-las bem.

 

O Coronel Brandon: personagem que podia ter aqui uma tonalidade romântica, dado o seu passado infeliz, mas não é assim. O Coronel é um homem simples e prestável. Que fica desde logo fascinado pela rapariga sensível e espontânea. Dirá à nossa Elinor: Não a tente mudar. Conheci um dia uma rapariga assim.

Esperará pacientemente pela sua oportunidade, sem interferir no romance da sua amada com o galante e insinuante Willoughby.

 

Willoughby: uma decepção como homem adulto. Personifica a sedução imatura, de um eterno adolescente, com a imprudência a condizer. Insinua-se demasiado no coração da rapariga impressionável sem pensar nas consequências nem de como a pode estar a prejudicar. Deixa que a sua amizade adquira contornos sociais de uma familiaridade própria de um compromisso, de um noivado. Imprudência com consequências bem mais dolorosas para a nossa rapariga sensível que dificilmente recupera daquele desgosto e humilhação. Como nos surge subitamente frágil, tão comovente e frágil, naquela deambulação sonâmbula pelo jardim e nos seus passos errantes que a levam até ao lugar onde o tinha visto pela primeira vez... Willoughby, Willoughby, murmura quase num soluço...

 

Claro que gosto de finais felizes e este final não se desvia do meu ideal: uma capela de pedra, muito antiga, no poético campo inglês, sinos tocam alegremente, os noivos saem sorridentes...

 

O Realizador: Ang Lee consegue aqui a imagem mais poética de todos os filmes que adaptaram Jane Austen. Nos pequenos pormenores, na sua sobriedade e elegância. Também nas cenas no exterior, aqueles campos, a casa, o mar... Consegue uma tonalidade única, a lembrar-nos quadros de cenas campestres e, no entanto, tão reais...

E a música, magnífica... em perfeita sintonia.

 

Voltando ao pilar da família, à rapariga discreta e sensata. Pode parecer-nos pouco confiante, e até pouco visível, mas a sua base é o que de mais sólido existe, e aqui lembra-me inevitavelmente outra personagem feminina, Jane Eyre. O mais sólido é a realidade em que baseiam toda a sua percepçao da vida e toda a sua acção. Podem sonhar, quem não sonha?, mas nunca se distanciarão da realidade. Essa é a sua incrível força. E a base da sua confiança nas pessoas e na própria vida.

Elinor vê de imediato as qualidades daquele jovem. Não se ilude, acredita nele porque o conhece bem. Elinor aceita as pessoas como elas são, não as tenta mudar ou controlar. Aliás, a única coisa que controla aqui é a viabilidade financeira da casa, o orçamento familiar.

 

O mundo pode tornar-se repentinamente hostil, depende muito das circunstâncias. Num momento tudo pode estar bem, no momento seguinte dá-se a reviravolta. É por isso que Elinor é quem está melhor preparada para enfrentar a nova situação: encara a realidade, de frente, sem dramatismos. Procura o melhor ângulo, a melhor perspectiva. E começa a delinear um plano de acção. É assim que escolhe a casa possível, que melhor se adapta ao novo orçamento, é assim que vai gerindo a mesada. E tudo sem perder tempo considerando as contrariedades. É talvez a personagem que revela mais maturidade, digamos assim, a maturidade de um adulto. Qualidades magníficas, não acham? E cada vez mais raras num mundo de adolescentes ruidosos, caprichosos e inconsequentes em que o séc. XXI se está a transformar.

 

 

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publicado às 22:25

O Natal e o amor genuíno

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.12.09

 

O Natal sugere-nos autores como Charles Dickens, Hans Christian Andersen, Oscar Wilde...

E filmes como os Capra ou alguns musicais: Meet me in Saint Louis, por exemplo, que em breve aqui quero colocar a navegar... ou o eterno Música no Coração...

 

Este Natal dou por mim a lembrar-me de cenas de filmes que em princípio nada têm a ver com o tema que procuro, mas que os meus neurónios insistem em associar. E é assim que hoje me surge o Tennessee Williams e o Richard Brooks em Gata em Telhado de Zinco Quente.

Um patriarca poderoso, uma família a gravitar à sua volta, mulher submissa e primogénito obediente incluídos, duas noras, uma ambiciosa, outra realista.

Um único elemento foge ao seu controle: o filho mais novo, o seu bem-amado.

Podem questionar-me, o que é que isto tem a ver com o Natal, que eu direi: Tem tudo. Uma família, conflitos de interesses, discussões, lutas pelo poder. E a possibilidade, milagrosa, da comunicação entre um pai poderoso e um filho falhado.

Há aqui de certo modo a repetição da Parábola do Filho Pródigo, mas em que este filho se torna a solução de todo o dilema da linguagem do poder, quando o poder se desmorona.

 

A cena-chave é a conversa pai-filho na cave da casa, já perto do final do filme. Por esta altura, já todos sabemos (menos o próprio) que o patriarca está muito doente, que os resultados dos exames médicos a que se submetera tinham confirmado o pior.

Também sabemos que o filho mais velho, instigado pela mulher ambiciosa, prepara o terreno para suceder ao pai nos negócios e na gestão da propriedade. Vemos desde o início a forma sistemática de apropriação do poder, em que tudo é jogado ao milímetro, usando os próprios filhos (e são muitos e barulhentos) como animais de circo amestrados.

A mulher realista, aplica-lhes um nome que lhes cai na perfeição: no neck monsters. Avisa aliás o marido da sua situação vulnerável e em clara desvantagem em relação ao irmão: tornara-se um alcoólico e não têm filhos.  (1) Acorda-o para a sua própria realidade: como irá sustentar o vício se o irmão tomar o controle de tudo? Sei o que é ser pobre, diz-lhe também. Vemos como esta mulher defende o marido das críticas da cunhada e como utiliza as únicas armas que tem: a capacidade de agradar aos homens, é jovem e bonita. Sabe, e di-lo ao marido, que o Big Daddy gosta dela.

Sim, por esta altura também sabemos que a mentira se instalou naquela casa. E o cerco começa a fechar-se à volta da mulher submissa, da que toda a vida vivera na sombra do patriarca, que a ele se dedicara, mesmo que negligenciada. É aqui que percebemos a diferença abissal entre as noras: a ambição mesquinha e a defesa de um lugar legítimo. Na ambição mesquinha não há lugar para o respeito, a sensibilidade e a compaixão. Atropela-se tudo e todos pelo caminho.

A cena-chave surge mais ou menos por aqui. O Big Daddy refugia-se na cave e é aí que enfrenta a verdade pela primeira vez. A verdade que se recusa a aceitar no início. Mas que as dores cada vez mais fortes lhe vão revelando. E finalmente, a frontalidade do próprio filho.

 

Porque gosto tanto desta cena? E porque a associo ao Natal? Aí vai:

Este filho, alcoólico, desportista falhado, mostra ao seu pai, poderoso e dominador, que a verdadeira força está no amor genuíno e não nas coisas que lhes dera.

É nesse desespero do filho, a partir objectos de viagens pela Europa, que o pai finalmente percebe a diferença: You owned us! é bem diferente do amor que ele próprio tivera em miúdo.

É isso que finalmente percebe quando pega na única coisa que o seu próprio pai lhe deixara, uma velha mala, uma velha mala, insiste, e um velho uniforme.

Mas o seu olhar ilumina-se imediatamente ao falar do pai, daquele velho vagabundo, e da felicidade desses anos juntos, da alegria do companheirismo, do amor genuíno.

 

Às vezes temos de ir às origens, à raíz, escavar emoções e sentimentos, o essencial de nós. Pode ter sido fugaz, breve, e muito longínquo, mas é isso que conta, a base de tudo, a nossa razão de viver. Só a partir daí é possível enfrentar a morte próxima, ou o fracasso e a cobardia.

O realizador deu esta tónica ao filme. O Big Daddy sai da cave determinado a viver os últimos dias que lhe restam de uma forma significativa. E o filho liberta-se finalmente do seu próprio pesadelo e deixará de rejeitar a mulher.

 

Não era esse o final que o Tennessee Williams queria, nem era essa a tonalidade da peça, segundo o que percebi num documentário. Mas eram os anos 50. (2) E também o que me prende ao filme não é essa perspectiva de análise possível das personagens. O que me prende ao filme é a discussão pai-filho naquela cave.  (3)

 

 

 

(1) Elizabeth Taylor aqui talvez no seu melhor papel de sempre, mulher sensual e insinuante, que o marido rejeita. A sua insistência mostra a sua força interior. É bem verdade que esta mulher tem vida dentro de si, como lhe dizem na cena final do filme.

(2) De certo modo, esta peça de Tennessee Williams é muito actual, numa altura em que se fala da forma mais ignorante, artificial e espalhafatosa das complexidades individuais, em que se reduz a identidade de alguém às suas opções pessoais de vida. Na peça há uma clara referência à homossexualidade recalcada do filho alcoólico e da sua relação com o amigo que se suicidara. Esta perspectiva da personagem é mais verosímil do que a apresentada no filme e não me admira nada que o Tennessee Williams tenha ficado decepcionadíssimo com as cenas finais. Mas como disse ali atrás, eram os anos 50, os anos moralistas do cinema.

(3) É também o meu papel preferido de Paul Newman, de copo na mão, no papel de desportista falhado, de desistente da vida. Embora tenha de reconhecer que poucos são os papéis que representou que eu não tenha adorado!

 

 

 

 

 

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publicado às 21:27

Sobre últimas oportunidades

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 07.12.09

 

Não sei porque é que este filme despretensioso me lembrou o Natal. Nem é uma comédia romântica. Talvez porque fala de amor e de família. Famílias desfeitas e sonhos transformados em desilusões.

Last Chance, Harvey. Um aeroporto e Harvey a entabular conversa com a passageira do lado. Que lhe diz sem-cerimónia que precisa de dormir para estar em forma quando chegar a Londres. Harvey em Londres, a fugir de um inquérito incómodo e, sem saber, da mulher que lhe irá salvar o dia. Harvey no hotel, sozinho, o resto da família reunira-se na casa da filha. Harvey a tentar salvar o emprego na agência de publicidade onde compõe jingles e a ouvir a frase, Last Chance, Harvey. Harvey no primeiro encontro com a filha, pouco à vontade, e a enfrentar a ex-mulher e o marido, e um casal que não voltara a ver desde o seu próprio casamento. Harvey a consolar-se no bar e a ser humilhado pela ex, a quem diz sempre me fizeste sentir como lixo. Harvey a ouvir a filha dizer-lhe que vai pedir ao padrasto para a levar ao altar. Harvey a dizer-lhe, quase a chorar, que não irá ficar para o copo de água, que só estará na cerimónia, pois tem um encontro de trabalho importante à sua espera.

 

Dia seguinte. Cerimónia e partida para o aeroporto. E aqui tudo se altera, o trânsito está entupido, o que implica um atraso providencial (para Harvey). Perde o avião e ainda ouve o veredicto do responsável da agência, Acabou, Harvey, foste dispensado. De novo a consolar-se no bar. E é então que repara na mulher que lê numa mesa ali perto. Mete conversa naturalmente, pede-lhe desculpa pela indelicadeza do dia anterior, quando lhe fugiu e ao questionário. Ela aceita mas continua a fixar o livro. Harvey, falador, não desiste. E explica-lhe que teve um dia péssimo. Ela diz-lhe o mesmo, o seu dia não fora melhor. Mas depois de o ouvir, confirma: o dele fora pior. Acabam a conversar como velhos conhecidos. E é mesmo isso que são, duas pessoas que se reconhecem, que se entendem, que dizem a verdade. E, no caso dela, sem papas na língua.

 

Paralelamente, vemos a vida desta mulher solitária, que aceitou quase naturalmente a desilusão do amor, e que só se lembra disso porque a mãe insiste em vê-la casada. Aliás, a relação com a mãe parece mais de dependência da mãe do que necessidade dela. Como dirá mais tarde a Harvey, na caminhada para a sua aula de escrita criativa (sim, Harvey pendurou-se, acompanhou-a à aula para continuar a conversar), Passei a ser a ocupação da minha mãe. Mas faço aqui rewind para o dia anterior dela: um encontro preparado por um casal de amigos, com um homem mais jovem, que ao ir ao balcão do bar pedir o vinho, acaba por encontrar duas amigas e esquecer-se dela.

 

Como é que ela salva o dia a Harvey? Ao ouvi-lo falar da filha e de como se estavam a afastar irremediavelmente, ao ter-se sentido sempre diferente delas, envergonhavam-se de mim, ao ver que já não fazia parte daquela casa, sentia-se um falhado, nem sequer fui um bom pai. É então que o convence a ir ao copo de água, que é o casamento da filha, tem de ir.

 

São estas últimas oportunidades, um encontro que parece casual mas que altera todo um percurso, a certeza de haver ligações familiares que são fundamentais, que equilibram e colocam tudo no seu lugar, e que há momentos em que temos de estar presentes, mostrar o nosso afecto genuíno, estar ali.

 

 

 

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publicado às 22:36

A vulnerabilidade e a coragem

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 05.12.09

 

É véspera de Natal e ela está sozinha. Sentada naquele sofá.

“Estava a olhar para o céu…”, diz a mulher para o homem quando verdadeiramente se reencontram. Ela já embrulhada no xaile branco de renda que ele lhe trouxera de casa da avó.

A vulnerabilidade. Tão injusta. Tudo o que nos pode acontecer. A vida feita de imprevistos.

E a capacidade de olhar a realidade e continuar. A mulher continuou. O homem, paralelamente, continuou. Mas sentiam-se estranhamente incompletos.

Quem não sonha com um final feliz para estes dois? Mesmo que sejam personagens pouco verosímeis! Ou talvez por isso…

 

 

 

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publicado às 01:02


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